segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Doce junho

     Frio na barriga. Só podia ser mais uma de suas paixonites. Mas essa era especial porque era inocente. Havia algo de puro, algo de tímido. 
     Era muito insegura, mas conseguia, por fora, ser até um pouco atirada. Dessa vez, não. Dessa vez não tomou iniciativa. Esperou. Quis muito e esperou. Talvez ele tenha percebido sua vontade, porque retribuiu aos olhares e aos papos furados daqueles que inventamos só pra ficar perto. Como uma adolescente, quando finalmente o que ela esperava aconteceu, descreveu como mágico. De contos de fadas não teve nada. Estavam bêbados, suados na pista de dança, com a mesma roupa do dia todo. Não importava - para ela foi mágico. Sentiu como se fosse seu primeiro beijo. Ficou nervosa, os minutos pararam de contar e mais todo o clichê que pudesse haver, aconteceu. A música parou e ela nem se deu conta. Foi pra casa porque tinha que ir, não porque quisesse. Não queria que a noite acabasse. Queria manter os olhos abertos, mas estava cansada. De qualquer forma, o outro dia ia chegar. E chegou. Ele sempre chega. 
     Por alguns dias ainda teve a esperança daquela tal ‘noite mágica’ nutrida por mensagens, recados e principalmente, por sua própria imaginação. Mas o príncipe pertencia a outra história, virou a página e pulou de volta para sua fábula. Ela ficou numa história sem príncipe e sem vilão, entediada. Virou Bela Adormecida porque perdeu o ânimo para frequentar os bailes por aí. Um dia alguém virá para acordá-la com um beijo apaixonado. Alguém que não venha de passagem, de outra história. Alguém feito para sua própria história.


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