terça-feira, 26 de março de 2013

A importância das datas



Sempre me importei se alguém esquecesse meu aniversário, não me ligasse no Natal, não estivesse na minha apresentação no colégio.


De uma hora pra outra, não liguei mais. Quem quiser, vai estar quando quiser, ou der, ou puder. E eu vou estar quando der e quiser e puder também. Menos um tópico pra resolver na terapia.


O melhor aniversário que já passei foi ano passado, sozinha, sem conseguir contato via celular ou internet, bem longe de qualquer lugar que eu já tivesse estado e mais longe ainda de qualquer pessoa que eu já tivesse conhecido. Eu aproveitei muito bem minha companhia silenciosa. Meus olhos e meus ouvidos, nesse dia, funcionaram melhor.


Isso foi só para provar que o que eu disse antes não foi papo furado. E para explicar como hoje é importante pra mim. Um dia que eu acho que vou passar a comemorar com mais entusiasmo que meu próprio aniversário.



Há um ano eu nasci de novo. Felizmente não passei por nada que as pessoas costumam passar antes de usarem tal expressão, como acidentes, sustos ou términos de relação traumáticos. Eu apenas me dei uma chance de fazer algo que eu jamais imaginei que fosse capaz de fazer. E eu acho que cumpri as propostas que nem sequer tinha feito a mim mesma. Venci medos que sempre tive, sem ter medo. Nem sei como explicar isso, mas acho que não encontraria palavras melhores para me fazer compreender.


Me tornei uma pessoa muito grata a tudo e a todos. De alguma forma, cada um que passou por mim me ensinou a crescer, a amar, a rir com mais vontade, a chorar com mais intensidade. Eu senti o valor da parceria e vi que ela não vem só dos nossos melhores amigos, mas de quem passa pela gente uma vez para nunca mais.

Escrevi minha gratidão eterna aos meus pais, que me fizeram ser tudo de bom que eu sou (apesar de tudo), e principalmente me ensinaram que tudo que ensinaram foi para que eu soubesse viver sem eles me ensinando tudo.


Esse dia, há um ano, me mostrou que cada momento deve ser aproveitado intensamente como se fosse o último. Clichê? Sim, o pior deles. Mas se é preciso ser clichê para ser feliz, vamo aí! Porque outra coisa que aprendi é que tentar ser o que a gente acha que é legal nunca é tão legal quanto ser o que a gente simplesmente é.


No sentido literal - e figurado - passei por um lugar onde só chove e quando eu cheguei, o sol se abriu. E eu não esqueci de sorrir, como eu estava habituada a esquecer. Não posso mentir, a risada sempre foi fácil pra mim. Acho graça das maiores bobeiras. Mas o sorriso gratuito para pessoas, paisagens e cenas rotineiras não eram tão freqüentes assim.


É por isso e por tantos outros milhões de motivos que eu senti necessidade de registrar o quanto esse dia é importante pra mim. Assumi minhas fraquezas, mas abracei também minhas qualidades porque elas precisaram ser reconhecidas por mim. E não falo só do cabelo (que eu comecei a usar solto, mesmo sendo essa fera indomável), mas também o fato de ser uma pessoa extremamente responsável, capaz de cuidar não só de mim, como também de outras vidas, tão frágeis, tão dependentes de mim, sem deixar ninguém passar frio, fome e sem devolver pra minha mãe, como fiz com meu bichinho virtual quando ele ficou doente.


Cometi e cometo muitos erros, ainda me pego em momentos de pura criancice e mimimi, mas, pela primeira vez, sinto orgulho de mim. Hoje é um dia que merece velinhas assopradas e um pedido óbvio: que eu possa, a cada 26 de março, renovar minha vontade de melhorar e de ser feliz.