quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quarto de menina


A cortina brincava no rosto, inerte às vontades do vento. O calor, o estado letárgico, a brisa do ventilador. A parede meio morna, o silêncio, o domingo. O livro de poesia, um cochilo, a calma. Tudo parecia se encaixar naquela cena. O batom cor-de-boca, o blush cor-de-rosa, o dia cor-de-nuvem...

música

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Simples







Ela: O seu time perdeu e o meu ganhou de novo.


Ele: Achei que você não fosse lembrar de me encher dessa vez...

Ela: Eu? Esquecer? De jeito nenhum! Quase te liguei quando acabou o jogo na quarta.

Ele: Você não tem meu telefone.

Ela: 9393-9393 - agora você tem o meu. Quando você me ligar, vou ter o seu.

Ele: E se eu não ligar?

Ela: ...

Ele: Vou te ligar quando meu time ganhar do seu.

Ela: Talvez isso não aconteça. Eu se fosse você pensava em outra desculpa...



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Minha verdade

Estava mexendo nos livros da minha mãe. Não estava procurando nada para ler, só queria mexer, mesmo. Peguei a esmo a obra poética completa da Cecília Meireles e abri no meio. Voltei à primeira página. Foi meu pai quem deu a ela o livro. Estava escrito:

"Este livro é para outra mulher, igualmente fantástica, e que vive comigo - Suely"

Achei tão bonito. Tudo. Os dizeres, o livro com folhas de seda, a capa dura verde escura com a assinatura da escritora em dourado, as letras pequenas, o amor que um dia meus pais sentiram um pelo outro.

Como é que dá pra entender isso acabar?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como furar uma fila

Tenho uma infinidade de livros que preciso/quero ler e eles ficam organizados numa fila. Afinal, sou virginiana. A vontade é de passar alguns na frente de outros, mas sou firme e tento ler o que está na frente primeiro. O que é justo, é justo. Tão justo que liberto-me do dever de dar algum argumento para isso.


Até que numa terça-feira outonal, com cara de segunda infernal, toca meu celular. Silenciei a ligação e continuei o que estava fazendo. Mais tarde ligaria de volta. O celular tocou de novo. É meu pai. Deve ser importante. Atendo. A voz dele não é de preocupação, tampouco de muita alegria. E desse jeito meio blasé, ele me diz:

- Chegou aqui um livro do Ricardo Kotscho para você. 

Quem teria mandado para o meu pai um livro do Ricardo Kotscho endereçado a mim? Foi o que perguntei, ao que meu pai respondeu:

- Ele mandou. Fez até dedicatória.
- Para, pai. Sério. Sério? Lê pra mim! Qual livro que é? Que sensacional!
- Ele escreveu: "Para minha colega Júlia, que escolheu a melhor profissão do mundo! Algumas histórias de um velho repórter. Força! Coragem! Beijo do Ricardo."
- ...
- Filha?
- Fiquei sem palavras. Obrigada, pai. Tô muito feliz.

O que Ricardo Kotscho não sabe é que na noite anterior eu sonhei que estudava medicina e acordei com raiva de ter feito jornalismo (ciências biológicas nunca foram uma opção, só para esclarecer). Isso, de sentir rancor pela profissão me incomodou, é claro. O dia de trabalho não tinha perspectiva nenhuma, nem vontade de ser dia, ele tinha. 

De repente, denomino de alegria o que eu senti. Alegria de criança, que sempre é pega sorrindo sem motivo.Nada do que ninguém me falasse sobre o prazer de ser jornalista mudaria o que eu estava pensando, a não ser que fosse o Papa, ou sei lá, a Cristiana Lôbo ou o Ricardo Kotscho. (risos.)

Desculpe signo de virgem, desculpem livros da fila, desculpe livro que estou lendo agora (que nem vou revelar a identidade para não ofender). 'Do Golpe ao Planalto — Uma Vida de Repórter' passou na frente e começará a ser lido hoje mesmo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A importância dos rituais de passagem ou Fazer o que se deve fazer mesmo que contrariada ou Um fim de semana qualquer em que aprendi alguma coisa

Eu não sei se todas as pessoas precisam. Eu preciso de rituais de passagem. Meu cérebro definitivamente não entende o fim de qualquer coisa e o começo de outra se não houver um fato marcante para dividir o que já foi e o que virá. Para a formatura, existe a colação de grau, pra citar um exemplo. mas há muitos começos e fins que não recebem atenção e algumas cenas simplesmente acabam para que outras, na sequência imediata, comecem.
Resolvi da seguinte forma: eu mesma crio meus rituais. Essa técnica tem se mostrado cada vez mais eficaz. Não caberia aqui demonstrar porque cada um deve criar o seu próprio meio de fazer um reveillón particular - para cada pessoa, acho eu, isso deve fazer efeito a partir de atitudes diferentes.
Realizei um de meus cortes definitivos recentemente e, sentindo um alívio imenso, devo anunciar que infelizmente nem tudo que queremos que acabe podemos dar um fim. De qualquer forma, a dica é usar pra tudo que está em nossas mãos. Há coisas necessárias em nossas vidas e mesmo que desejemos muito fazer logo um ritual e pular pra próxima fase, não dá. Viver cada período é importante antes de dar o passo seguinte. Mais que isso, é obrigatório. Então, se é inevitável, coloque um sorriso no rosto e faça.

Talvez tudo esteja meio subjetivo, mas Elis explica melhor a esssência da coisa, é claro:

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vencido

Eu queria muito um iogurte! Muito mesmo. Estava com fome, mas com sede ao mesmo tempo. E com pressa. um iogurte resolveria as minhas necessidades naquele momento. Não custava nada dar uma olhada na geladeira. Minha mãe sempre diz que eu não vejo as coisas que ficam na geladeira e elas acabam estragando. Fiz o curto trajeto da sala até minha geladeira rezando e minhas preces foram atendidas: uma única garrafinha me aguardava atrás do pote de margarina. Peguei rápido e numa ação impensada e totalmente mecânica, dei uma espiada nas incrições que vêm na tampinha metálica. Antes não o tivesse feito. O prazo de validade indicava que o meu néctar estava impróprio para o consumo na então presente data. Pensei em aceitá-lo assim mesmo. Afinal, tratava-se de um desejo muito forte! 

Minha avó costuma lembrar que no tempo dela, a decisão de quando um produto vencia era de quem queria consumí-lo. Por que não dar uma chance ao meu iogurte? Podia ser que ele ainda estivesse docinho, saudável e delicioso. Podia ser que ele causasse uma dorzinha de barriga mais tarde. E talvez eu estivesse disposta a passar por isso, mas podia ser também que meu estômago não estivesse preparado pra receber um negócio estragado. O fato é que eu não ia saber se não tentasse.


Decidi não tomar. Dessa vez o que eu deveria fazer estava escrito e é tão difícil fazer escolhas que resolvi acatar o que a tampinha me dizia e pronto. O problema é que nem tudo na vida vem com o prazo de validade apesar dele invariavelmente existir. Se tem uma coisa que eu aprendi com gente mais esperta que eu é que tudo na vida é temporário. Qualquer coisa que começa tem seu fim. 

De vez em quando, a gente tem uma ideia de quando vai terminar: o curso, um projeto, o campeonato de futebol, a novela. O resto a gente tem que se virar pra prever- como minha avó fazia antes de usar o leite no molho. Saber a hora de pedir o aumento antes que o outro assistente tenha a mesma ideia, de comprar um carro enquanto os itens opcionais estão em promoção ou adotar um cachorro aproveitando o humor de quem mora com você já são ações mais arriscadas e errar na validade pode ser fatal.

Depois disso tudo dito, se eu pudesse sugerir um aspecto com o qual as pessoas devessem ser mais precavidas, seria com as coisas que não têm validade escrita, mas que sabemos estar vencidas e mesmo assim insistimos em consumir. Assim como meu iogurte, é preciso saber a hora de jogar as coisas fora - tudo na vida é temporário, quero novamente ressaltar! - elas não valem mais! Estão vencidas. Vencidas pelo cansaço, vencidas pelo tempo de uso, vencidas por algum outro ganhador.

Não existe uma forma segura de determinar que um produto possa causar algum mal. Tampouco há forma segura de garantir a validade de uma briga, uma relação, um sentimento.
Eu queria muito o meu iogurte, mas jogá-lo fora não foi tão penoso quanto outras coisas que tive que descartar por estarem com o prazo de validade vencido.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Saudações, alegria!

'Oi'. E então tudo se transformou, como se tivesse sido feita alguma mágica. Não que as coisas mudem de um segundo para o outro, mas não custa fazer uma saudação para que novas possibilidades se sintam confortáveis para chegar.

Bom dia e boa sorte.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

bilhete no ímã de geladeira

Eu acredito. Nada de benefício da dúvida. Fé nas pessoas é a expressão de ordem.

Um bom ano.


O primeiro Sol, em Camburi
Jorge Ben - Jorge da Capadócia