quinta-feira, 13 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Efêmero

Eu estava feliz. Aquela calma eufórica poderia durar pra sempre - já que o pra sempre, sempre acaba. Gostava das tardes mornas e longas sem nada para fazer, dos filmes embolados no sofá, dos beijos de ponta-cabeça, dos sorvetes de macadâmia. Eu gostava.

Eu não sei quanto tempo demora para macadâmias brotarem nas árvores. No jardim da casa dele tinha uma árvore de macadâmia. Não era época do fruto. Quando foi época, não era época da gente.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

C'est fini


Passeavam pelo centro da própria cidade com um mapa, rindo e cambaleando, embriagados ainda pela sensação que embala os casais recém formados. Caminhando pelas ruas de luminárias adornadas e de arquitetura antiga dos arredores da avenida Julio Prestes, sentiam-se em Paris. 
Ela desejou que um dia estivessem lá de verdade.

Dois anos e tantos meses depois da Cidade Luz e seu mapa em pleno centro paulistano, daquele sentimento tão leve, estavam os dois em Paris.

Ele. 

Depois, ela. 




Separados por 13 dias.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quarto de menina


A cortina brincava no rosto, inerte às vontades do vento. O calor, o estado letárgico, a brisa do ventilador. A parede meio morna, o silêncio, o domingo. O livro de poesia, um cochilo, a calma. Tudo parecia se encaixar naquela cena. O batom cor-de-boca, o blush cor-de-rosa, o dia cor-de-nuvem...

música

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Minha verdade

Estava mexendo nos livros da minha mãe. Não estava procurando nada para ler, só queria mexer, mesmo. Peguei a esmo a obra poética completa da Cecília Meireles e abri no meio. Voltei à primeira página. Foi meu pai quem deu a ela o livro. Estava escrito:

"Este livro é para outra mulher, igualmente fantástica, e que vive comigo - Suely"

Achei tão bonito. Tudo. Os dizeres, o livro com folhas de seda, a capa dura verde escura com a assinatura da escritora em dourado, as letras pequenas, o amor que um dia meus pais sentiram um pelo outro.

Como é que dá pra entender isso acabar?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como furar uma fila

Tenho uma infinidade de livros que preciso/quero ler e eles ficam organizados numa fila. Afinal, sou virginiana. A vontade é de passar alguns na frente de outros, mas sou firme e tento ler o que está na frente primeiro. O que é justo, é justo. Tão justo que liberto-me do dever de dar algum argumento para isso.


Até que numa terça-feira outonal, com cara de segunda infernal, toca meu celular. Silenciei a ligação e continuei o que estava fazendo. Mais tarde ligaria de volta. O celular tocou de novo. É meu pai. Deve ser importante. Atendo. A voz dele não é de preocupação, tampouco de muita alegria. E desse jeito meio blasé, ele me diz:

- Chegou aqui um livro do Ricardo Kotscho para você. 

Quem teria mandado para o meu pai um livro do Ricardo Kotscho endereçado a mim? Foi o que perguntei, ao que meu pai respondeu:

- Ele mandou. Fez até dedicatória.
- Para, pai. Sério. Sério? Lê pra mim! Qual livro que é? Que sensacional!
- Ele escreveu: "Para minha colega Júlia, que escolheu a melhor profissão do mundo! Algumas histórias de um velho repórter. Força! Coragem! Beijo do Ricardo."
- ...
- Filha?
- Fiquei sem palavras. Obrigada, pai. Tô muito feliz.

O que Ricardo Kotscho não sabe é que na noite anterior eu sonhei que estudava medicina e acordei com raiva de ter feito jornalismo (ciências biológicas nunca foram uma opção, só para esclarecer). Isso, de sentir rancor pela profissão me incomodou, é claro. O dia de trabalho não tinha perspectiva nenhuma, nem vontade de ser dia, ele tinha. 

De repente, denomino de alegria o que eu senti. Alegria de criança, que sempre é pega sorrindo sem motivo.Nada do que ninguém me falasse sobre o prazer de ser jornalista mudaria o que eu estava pensando, a não ser que fosse o Papa, ou sei lá, a Cristiana Lôbo ou o Ricardo Kotscho. (risos.)

Desculpe signo de virgem, desculpem livros da fila, desculpe livro que estou lendo agora (que nem vou revelar a identidade para não ofender). 'Do Golpe ao Planalto — Uma Vida de Repórter' passou na frente e começará a ser lido hoje mesmo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A importância dos rituais de passagem ou Fazer o que se deve fazer mesmo que contrariada ou Um fim de semana qualquer em que aprendi alguma coisa

Eu não sei se todas as pessoas precisam. Eu preciso de rituais de passagem. Meu cérebro definitivamente não entende o fim de qualquer coisa e o começo de outra se não houver um fato marcante para dividir o que já foi e o que virá. Para a formatura, existe a colação de grau, pra citar um exemplo. mas há muitos começos e fins que não recebem atenção e algumas cenas simplesmente acabam para que outras, na sequência imediata, comecem.
Resolvi da seguinte forma: eu mesma crio meus rituais. Essa técnica tem se mostrado cada vez mais eficaz. Não caberia aqui demonstrar porque cada um deve criar o seu próprio meio de fazer um reveillón particular - para cada pessoa, acho eu, isso deve fazer efeito a partir de atitudes diferentes.
Realizei um de meus cortes definitivos recentemente e, sentindo um alívio imenso, devo anunciar que infelizmente nem tudo que queremos que acabe podemos dar um fim. De qualquer forma, a dica é usar pra tudo que está em nossas mãos. Há coisas necessárias em nossas vidas e mesmo que desejemos muito fazer logo um ritual e pular pra próxima fase, não dá. Viver cada período é importante antes de dar o passo seguinte. Mais que isso, é obrigatório. Então, se é inevitável, coloque um sorriso no rosto e faça.

Talvez tudo esteja meio subjetivo, mas Elis explica melhor a esssência da coisa, é claro: