segunda-feira, 18 de abril de 2011

A importância dos rituais de passagem ou Fazer o que se deve fazer mesmo que contrariada ou Um fim de semana qualquer em que aprendi alguma coisa

Eu não sei se todas as pessoas precisam. Eu preciso de rituais de passagem. Meu cérebro definitivamente não entende o fim de qualquer coisa e o começo de outra se não houver um fato marcante para dividir o que já foi e o que virá. Para a formatura, existe a colação de grau, pra citar um exemplo. mas há muitos começos e fins que não recebem atenção e algumas cenas simplesmente acabam para que outras, na sequência imediata, comecem.
Resolvi da seguinte forma: eu mesma crio meus rituais. Essa técnica tem se mostrado cada vez mais eficaz. Não caberia aqui demonstrar porque cada um deve criar o seu próprio meio de fazer um reveillón particular - para cada pessoa, acho eu, isso deve fazer efeito a partir de atitudes diferentes.
Realizei um de meus cortes definitivos recentemente e, sentindo um alívio imenso, devo anunciar que infelizmente nem tudo que queremos que acabe podemos dar um fim. De qualquer forma, a dica é usar pra tudo que está em nossas mãos. Há coisas necessárias em nossas vidas e mesmo que desejemos muito fazer logo um ritual e pular pra próxima fase, não dá. Viver cada período é importante antes de dar o passo seguinte. Mais que isso, é obrigatório. Então, se é inevitável, coloque um sorriso no rosto e faça.

Talvez tudo esteja meio subjetivo, mas Elis explica melhor a esssência da coisa, é claro:

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vencido

Eu queria muito um iogurte! Muito mesmo. Estava com fome, mas com sede ao mesmo tempo. E com pressa. um iogurte resolveria as minhas necessidades naquele momento. Não custava nada dar uma olhada na geladeira. Minha mãe sempre diz que eu não vejo as coisas que ficam na geladeira e elas acabam estragando. Fiz o curto trajeto da sala até minha geladeira rezando e minhas preces foram atendidas: uma única garrafinha me aguardava atrás do pote de margarina. Peguei rápido e numa ação impensada e totalmente mecânica, dei uma espiada nas incrições que vêm na tampinha metálica. Antes não o tivesse feito. O prazo de validade indicava que o meu néctar estava impróprio para o consumo na então presente data. Pensei em aceitá-lo assim mesmo. Afinal, tratava-se de um desejo muito forte! 

Minha avó costuma lembrar que no tempo dela, a decisão de quando um produto vencia era de quem queria consumí-lo. Por que não dar uma chance ao meu iogurte? Podia ser que ele ainda estivesse docinho, saudável e delicioso. Podia ser que ele causasse uma dorzinha de barriga mais tarde. E talvez eu estivesse disposta a passar por isso, mas podia ser também que meu estômago não estivesse preparado pra receber um negócio estragado. O fato é que eu não ia saber se não tentasse.


Decidi não tomar. Dessa vez o que eu deveria fazer estava escrito e é tão difícil fazer escolhas que resolvi acatar o que a tampinha me dizia e pronto. O problema é que nem tudo na vida vem com o prazo de validade apesar dele invariavelmente existir. Se tem uma coisa que eu aprendi com gente mais esperta que eu é que tudo na vida é temporário. Qualquer coisa que começa tem seu fim. 

De vez em quando, a gente tem uma ideia de quando vai terminar: o curso, um projeto, o campeonato de futebol, a novela. O resto a gente tem que se virar pra prever- como minha avó fazia antes de usar o leite no molho. Saber a hora de pedir o aumento antes que o outro assistente tenha a mesma ideia, de comprar um carro enquanto os itens opcionais estão em promoção ou adotar um cachorro aproveitando o humor de quem mora com você já são ações mais arriscadas e errar na validade pode ser fatal.

Depois disso tudo dito, se eu pudesse sugerir um aspecto com o qual as pessoas devessem ser mais precavidas, seria com as coisas que não têm validade escrita, mas que sabemos estar vencidas e mesmo assim insistimos em consumir. Assim como meu iogurte, é preciso saber a hora de jogar as coisas fora - tudo na vida é temporário, quero novamente ressaltar! - elas não valem mais! Estão vencidas. Vencidas pelo cansaço, vencidas pelo tempo de uso, vencidas por algum outro ganhador.

Não existe uma forma segura de determinar que um produto possa causar algum mal. Tampouco há forma segura de garantir a validade de uma briga, uma relação, um sentimento.
Eu queria muito o meu iogurte, mas jogá-lo fora não foi tão penoso quanto outras coisas que tive que descartar por estarem com o prazo de validade vencido.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Saudações, alegria!

'Oi'. E então tudo se transformou, como se tivesse sido feita alguma mágica. Não que as coisas mudem de um segundo para o outro, mas não custa fazer uma saudação para que novas possibilidades se sintam confortáveis para chegar.

Bom dia e boa sorte.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

bilhete no ímã de geladeira

Eu acredito. Nada de benefício da dúvida. Fé nas pessoas é a expressão de ordem.

Um bom ano.


O primeiro Sol, em Camburi
Jorge Ben - Jorge da Capadócia

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Lento

No fim da tarde pegou Madame Bovary, abandonado depois de dois capítulos lidos há tanto tempo. Resolveu começar de novo porque recordava estar gostando, sem lembrar do enredo. Algumas coisas são assim: sabemos gostar, mas precisamos renovar o porquê. Lembrou que a capa dura envolta em tecido e as folhas levemente amareladas lhe agradavam. De outros gostos não se lembrará tão facilmente. É possível que tenha novos interesses agora. Desejos frescos de antigas coisas. Sonhos viraram lembranças. Parou de devanear e se permitiu ter vontades existentes. Isso é tudo voltando para o lugar onde nunca se esteve, mas deveria. Ou indo de novo à posição torta. Antes a curva do que a reta. Qual seria a surpresa numa linha contínua?

Glory Box - Portishead 

Não procure ligações além daquelas que fizer.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dance!

Canned Heat - Jamiroquai


 Essa merece ser lida e depois dançada, é claro.
 *** 

You know this boogie is for real.


I used to buy my faith in worship,
But then my chance to get to Heaven sli-i-pped
I used to worry about the future
But then I threw my caution to the wind.
I had no reason to be care free
No no no, until I took a trip to the other side of town
Yeah yeah yeah, you know I heard that boogie rhythm
Hey- I had no choice but to get down down down down.


Dance, nothing left for me to do but dance,
All these bad times I'm going through just dance
Got canned heat in my heels tonight baby
I feel the thunder see the lightning
I know this anger's heaven sent.
So I've got to hang out all my hang-ups
Because on the boogie I feel so hell bent
It's just an instant gut reaction, that I got
I know I never ever felt like this before,
I dont know what to do
But then that's nothing new,
Stuck between hell and high water
I need a cure to make it through.


Hey- dance, yeah nothing left for me to do but dance
All these bad times I'm going through just dance,
Hey, got canned heat in my heels tonight baby
You I got canned heat in my heels


You know this boogie is for real.


Only the wind can blow the answer
And she cries to me when I'm asleep
She says you know that you can go much faster
I know that peoples' talk can be so cheap
Yeah yeah
I got this voodoo child inveined on me
I'm gonna use my power to ascend
You know I got these running heels to use
Sometimes there's no way to lose
I was born to run
And built to last
You've never seen my feet
cause' they can go so fast


Dance…yeah, hey!
Nothing left for me to do but
Dance
All these bad times I'm going through just
Dance…Hey
Got Canned Heat in my heels tonight, baby
Dance!


Hey DJ
Let the music play
I'm gonna live this party life
Hey DJ
Throw my cares away
I'm gonna live this party life
Hey DJ
Let the music play
I'm gonna live this party life
Hey DJ
Throw my cares away
I'm gonna live this party life


Canned heat in my heels tonight!


You know that this boogie if for real.
Got so much Canned Heat in my heels
Gonna dance, gonna dance my blues away tonight
You know I'm gonna dance my blues away tonight







 ***


Meu mundo está um nó. Acredito no que a dança pode produzir de bom por dentro da gente pra desatar tudo.

Além disso, conheço alguém que ia gostar desse post, embora nunca vá ler...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

No meu tempo...

Hoje é dia de celebrar a infância, a melhor fase da vida! Para a minha geração ela foi muito divertida, garanto. Copiei de algum e-mail que recebi (e se você nasceu entre 87 e 91, provavelmente também recebeu em algum momento) e acrescentei o que fui lembrando. 

No meu tempo não existia orkut, facebook ou twitter - então as fotos não eram tiradas com esse destino, serviam para recordar um momento. McDonald's. Aos 11 anos eu brincava de boneca e via 'Cavaleiros do Zodíaco', 'Chiquititas', não queria ser 'Rebelde'. Ouvíamos 'Mamonas Assassinas' e 'É o Tchan' na maior inocência.



Plutão ainda era um planeta! As músicas tinham coreografias, Kinder Ovo era 1 real. As pessoas se conheciam pessoalmente. Maquiagem era coisa de gente grande. Eu tinha bichinho virtual, nem sonhava em ter um celular; não havia emo's! Líamos Gibi da Mônica e comíamos seu chocolate branco e preto.


Declarações de amor eram feitas por cartinhas em vez de scraps. Merthiolate ardia (e como!). A hora do almoço era anunciada por um cachorro francês da TV Colosso. X-BOX? Wii? Mário no Super Nintendo! Subia do Playground, onde passava horas andando de patins, feliz porque era hora do Castelo Rá-Tim-Bum!



Tim-Tim era meu herói. Ah, os Smurfs! Os ursinhos carinhosos. Meu mundo era feito de Lego, e era só puxar uma cordinha que o Baby, da família dinossauro, falava descontroladamente: 'Não é a mamãe, não é a mamãe'. Jogava Tazo no recreio. Passava horas procurando o Wally, ou vendo 'O fantástico mundo de Bobby', ou 'Chaves'.




Foram 'Anos Incríveis', com o perdão do trocadilho: